Fui uma pessoa feliz. Não há como dizer o contrário. Senti o prazer de poder descrever o indescritível. Esse fluxo que atinge cada parte de seu corpo e te transforma, te motiva, te engrandece, te eleva. A alegria passou por mim. Já me senti tocado por ela e confesso não ter sido apenas uma vez. Hoje percebo que a felicidade é como um cavalo de fino sangue que passa selado por nós uma vez na vida e quem tem a astúcia de montá-lo pode entender o prazer de galopá-lo, o frescor da brisa que toca nosso rosto e desfaz o cabelo. Posso dizer que fui um ser de sorte pois esse garanhão passou por mim em duas ocasiões e pude domá-lo, por um tempo, ambas as vezes. O problema dele é ser por demais arredio e nos surpreender. Por incompetência acabei caindo em um pântano de angústias, incertezas, abandono, sofrimento, dor e solidão. O meu cavalo se foi. Eu fiquei, abandonado e sujo por esse engodo que hoje não consigo limpar de mim. Agora estou tão longe de casa. Não sei o caminho de volta. Abandonado, talvez esquecido em um mundo só meu. Chorei e choro tanto que minhas lágrimas secaram. Elas não escorrem pelo meu rosto para limpar um pouco do barro ou matar minha sede. Também por isso já não tenho mais motivos para sorrir pois a única consequência que ele me trás é marcar ainda mais meu rosto sujo com novas rugas que insistem em brotar. Assim o que me consola é o tempo, pois ele diferente de meus cavalos é totalmente indomado e passa inescrupuloso por mim. Ele me mostra um passado alentador e pela frente uma certeza, o fim. Só desejo que essa época não tarde a chegar e quando estiver em tempo que meus demônios angelicais alados cheguem em formosos cavalos com pelos sedosos e crinas lisas esvoaçantes para que antes de ser jogado no abismo da eternidade eu possa sentir pela última vez o prazer de um galopar como outrora tive em uma época feliz.
quinta-feira, 31 de março de 2011
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Viandar
O acaso me intriga. Como poderia imaginar que aquela noite tornaria-se tão inesquecível para mim. Ela começou como uma qualquer. Imaginava muitas coisas porém minha intuição que raramente falha aquela vez me enganou. Não posso dizer que não sonhava com um acontecimento especial mais era apenas uma noite como outra qualquer. Talvez a bebida tenha acelerado minha forma poética de ver as coisas, talvez meu estado espiritual abalado devido a falta que ainda sentia do meu amor também interferia em mim. Talvez nem a eterna boa vontade de meus amigos e a paciência transcendental destes fosse capaz de me suportar. Foi nesse estado que cheguei lá. As luzes me encantavam. Elas me levaram a uma dimensão onde cores das mais variadas atingiam minha retina com tal força que era capaz de causar espasmos em cada músculo de meu corpo. Não sentia mais nada. Flutuava. Voava. Dançava. Tudo muito intensamente. E loucamente desejava mais a cada segundo que passava... e passou. Tão rápido como um flash seguido por uma fotografia que marca pela eternidade um momento. Um momento que admiro até hoje. Foi rápido volto a dizer e mesmo assim me recordo com detalhes de tudo. Um rosto. Uma voz. Um carinho. Muito desejo. Sonhei acordado, tudo que sentia antes foi esquecido, perdido na batida de mais uma música como um texto escrito a lápis se transformando em pó depois que uma borracha passa por cima deste. Senti ser tocado mais uma vez pelo amor, que outrora me deixou tão repentinamente como chegou. Prazer, o dia acabou e começou com essa definição. Sofri mais uma vez por querer ter quem nem ao menos se lembra que fiz parte daquela foto, daquela noite, daquele momento! Hoje queria apenas esquecer a luz dos teus olhos, porque assim eu não sentiria saudade deles. Queria esquecer o tom da sua voz, o seu jeito de falar, esse sorriso lindo que só você tem. Queria tanto, mais não posso, pois o que sinto por ti é tão forte, impossível de esquecer, mais uma coisa é certa, sem você não sei viver. E continuo a esperar, quem sabe você voltar, lembrar ou pelo menos me ligar...
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Quimera
Certa vez me disseram que o mais triste de uma despedida é a incerteza de uma volta. Eu naquela época pude acreditar. Pude pensar e hoje depois de alguem tempo posso discordar, não totalmente, mais em grande parte desta afirmação. Quando ainda não se passou por nenhuma despedia não temos a noção exata das dores, dúvidas, sofrimentos e agústias que esta nos trás. Somente quem passa por isso é que entende as aflições mil que mergulhamos. Eu já pude passar por diferentes formas de despedidas. Uma delas era aquela que me trazia a certeza de novamente te ver, tudo que sofriamos resumia-se em tentar saber qual o melhor momento para isso, e da forma como viviamos era ter a certeza que amanha seria perfeito, mais uma vez, um ao lado do outro. Vivemos tempos assim... Porém esse tempo findou. Eu particularmente passei a encarar as nossas despedidas como um recomeço. Sei que é contraditório mas era o sentimento que me invadia a cada ocasião dessa. Te via indo com a esperança, mesmo que no meu mais profundo íntimo, de que tudo pudesse voltar a ser como foi, onde teriamos alegria, felicidade, brincadeiras que só a gente entende. Passei a crer que para estar junto não precisaria estar perto, pensava mais em ti do que em mim. Sofri. Mais ainda sofreria mais quando passei forçadamente a entender nossa próxima despedida como o fim. O fim. Este é o termo mais perfeito e singelo para designar tudo que foi esta despedida. Banhado em muito desespero fui vencido por formas desumanas de prazer. Fui suplantado por compostos naturais, talvez até químicos que você escolheu. Fiquei desconsolado com meu coração partido e por vezes ainda me pego procurando pedaços na tentativa de reconstrui-lo. Fracasso sempre pois nunca encontro esses poucos pedaços vitais que me restam, uma vez que se foram com você. Talvez estejam eles jogados em uma caixa velha onde você tenha algumas relíquias que fizeram parte de sua vida, um pensamento esperançoso de que fiz parte dela e marquei a ponto de ser relembrado mesmo esquecido no fundo de uma caixa velha. Ou talvez ainda tenha significado pra ti nada mais que um velha peça de um quebra cabeça perdido e o fim destes pedaços você nem saiba ou se desfez deles de forma consciente para nunca mais recordar-se de mim... E mesmo depois de tantas despedidas não descordo totalmente da frase com que comecei este texto por um único motivo: eu ainda te encontro de uma maniera muito pessoal, você ainda frequenta meus pensamentos, lembro de nós sorrindo, ainda me pego olhando dentro de seus olhos, eu ainda te vejo em meus sonhos, e neles ainda somos felizes...
domingo, 14 de novembro de 2010
sábado, 30 de outubro de 2010
Lacrimal
Eis que repentinamente me vi parado. No alto do edifício o relógio não marcava as horas, ele marcava a temperatura e ainda via claramente que estavamos em dez graus. Frio? Não tanto se comparado a outros lugares onde já estive, mais era suficiente para me fazer tremer. Tremia e sabia que meu corpo estava ali inconscientemente porém minha mente como sempre devaneava por lugares outrora visitados. E ali onde estava era um desses lugares que já havia estado e ainda me lembrava. Ali passei bons e maus momentos, ambos me traziam saudades. Um cigarro na mão era algo que não me deixava ir tão longe, pois me trazia um calor não suficiente mais acalentador. A fumaça saia da minha boca após estragar um pouco mais meus pulmões e era suficiente para me distrair. Lembranças me afogavam, submergia nelas. Faltava oxigênio até me encantar por olhares cheios de desejos dos mais picantes que colidiam com o meu e timidamente eu desviava o foco destes, infelizmente. Ali o mundo parecia tão pequeno, por vezes até conhecidos eu via que me diziam olá. Porém minha vontade era libertar-me. Esquecer o passado, suprir minha carência, descobrir um novo e empolgante porto que pudesse iludir-me novamente, mesmo que por uma única noite. Estava no lugar certo, onde tudo poderia acontecer só bastaria eu decidir o rumo que tomar. A minha frente o paraíso. A minha esquerda o inferno. A minha direita os jardins do édem. O que tinha atrás não me interessava. Tudo passa rápido. Muito rápido. Assim como mais um cigarro queimado. Mais um pensamento em ti. E você onde estará? Mais uma vez gostaria de saber para que pudesse estar contigo mesmo que seja em pensamentos. E com isso as horas passavam, rápida com só as horas conseguem correr quando não queremos que estas passem, e os caminhos subterrâneos eu preciso seguir pois eles são minha rotina, minha rota que devo percorrer para chegar em minha cama mais uma vez e sonhar com você, sonhar com a possibilidade que ainda mantenho dentro do meu peito, talvez tão no fundo do meu próprio coração que seja dificil até para eu enxergar e poder ter você aqui novamente me desferindo um abraço, um carinho que desejo a cada dia mais.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Frívolo
Percebi o que estava vivendo quando encontrei-me como gostaria de estar, em alto mar, esquecido por muitos, lembrado por alguns poucos e amado por ninguém! Foi o que a vida me ofereceu mesmo eu sempre buscando algo diferente. Acreditei muitas vezes em vislumbres talvez ainda pelo fato de conhecer imperfeitamente a aurora do dia ou o crepúsculo da noite. Quando se vive a deriva essas noites são mais longas, os dias intermináveis e os sonhos um subterfúgio que te alegram pois trazem suas vontades muito antes deixadas em terra firme. É ainda embarcado que nos tornamos reféns de nossos próprios desejos. Cheguei a crer que os piratas poderiam se tornar amigos, quem sabe companheiros para atracarmos juntos no final desta jornada naval, mais estava sob influência de meus mais íntimos alucinógenos que encontramos apenas com o balançar das águas salgadas. Não que os momentos que passei ao lado dos seres que tinham alegria para dividir, histórias para contar e até amor para dar foram ruins, muito pelo contrário. Porém eles se foram tão rapidamente como chegaram e eu voltei a viver sentado na proa de minha embarcação e solitário releio as cartas que escrevemos, não de maneira insensível ou indiferente, mas sim apenas com focos diferentes. Hoje só relembro...
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Aclarando
Quebrei os laços! Rompi as amarrgas. Me libertei. Tal como o pássaro busca o céu mesmo ainda sem aprender a voar, como o peixe luta contra a correnteza, todos com um propósito maior. O peixe precisa dessa força pois assim eternizará a espécie, um sentido biológico para o sacrifício. Já voo do pássaro é recompensado com uma visão que só ele poderá ter, só ele verá o quão grande é o mundo e quão longe pode chegar. Um sentido muito pessoal que só o pássaro que atinge tal objetivo poderia descrever. Comigo foi semelhante e para tentar explicar o que acontecia devo antes explicar que "a origem da gravata remontava à fascalia de seda usada pelos oradores romanos para aquecer as cordas vocais, do ponto de vista etmológico, gravata na verdade vinha de um bando de cruéis mercenários croatas que amarravam lenços em volta do pescoço entes de partir para a batalha. Até hoje, esse antigo traje de combate é usado por guerreiros corporativos modernos, que esperam intimidar os inimigos nas batalhas diárias das salas de reunião." Não gostava de me sentir um guerreirro que lutava diariamente contra um exército truculento, inescrupuloso e mentiroso. Estava remando contra minha própria vida e encontrando bolsas de tranquilidade em lagos com fundo de areia movediça que me convidavam diariamente para o mergulho fatal! Eu resisti enquanto pude. Consegui juntar o que não me tiraram de líquor vital e parti. Parti rápido como devia ser, inesperadamente como quiria que fosse e sem deixar pegadas como sonhei que seria. Meus instintos estavam certos, eu era apenas um número que se desfragmentou e o pó se desfez no vácuo de minha partida. Lá o que sobrou de mim foi apenas nada. Para mim o que germinou foi a semente de uma nova vida. Um renascimento, um recomeço, uma retomada do que havia perdido.
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