segunda-feira, 20 de maio de 2013

Deus

Queria chegar em um local que nunca alguém chegou. Tenho certeza que lá serei a melhor pessoa, terei minhas leis, minhas verdades, e quem eu quiser que esteja comigo. Serei absoluto. Eu farei minha natureza. Escolherei minhas luas, o período que o frio vai reinar, quanto tempo a noite vai durar, o tempo dos dias, as horas do ano e os planetas do sistema. As estações serão a meu gosto, quantas eu quiser, com quais características me agradar, e sim, elas poderão ser mutáveis. Vai existir muito verde, vai existir muitas possibilidades, vai existir muita tecnologia e existirá muito respeito. Minha moradia será interessante, com minha personalidade edificada através de paredes, portas, janelas e um belo jardim, eles me agradam muito e me remetem a bons tempos, existirá também nesse jardim um ipê amarelo porquê eu gosto deles. Tenho ainda muito a pensar para quando chegar resolver tudo o mais rápido possível, planejo que em seis dias tudo esteja em perfeito funcionamento para que no sétimo eu possa descansar e admirar meu trabalho. Claro que ainda tenho algumas dúvidas, mas alguns pontos estão tão certos como a fé! Não trabalharei com memórias. Elas são prejudiciais na maior parte do tempo. Óbvio que não posso ser generalista e dizer que elas sempre são prejudiciais, mas as possibilidades de erro ao usarmos superam com grande margem as vezes que elas são boas. Assim prefiro não arriscar. Alguns sentimentos não existirão, dessa forma estaremos blindados de muitos problemas decorrentes do mal funcionamento destes, que não é raro ocorrer. Vou gastar bastante tempo construindo histórias, elas me fascinam e fascinarão todos que estiverem em uma noite com uma bela lua ao redor de uma fogueira. Nas histórias tudo será possível e basta cada um imaginá-la para que seu sorriso brote. Aliás, os sorrisos serão as joias mais preciosas, quem um dia conquistar um pode ter certeza que possuirá a maior riqueza que deixarei para os que virão depois de mim...

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Ecoar

As vezes eu acordo com aquela vontade louca de permanecer na cama até que meu corpo doa de vontade de levantar. As vezes eu quero lembrar nada do que vivi na noite passada quando sequer fui ouvido por quem na verdade me devia explicações. As vezes eu super valorizo pequenos gestos que na verdade não tem valor algum. As vezes sou uma pessoa carente, as vezes me apaixono. As vezes eu me sinto a pessoa mais inútil do mundo, não sou merecedor de uma ligação para dizer: "Lembrei de você." As vezes minha companheira é a solidão das noites, pois nem o sono ficou próximo a mim, as vezes o barulho da noite me assusta, as vezes o silêncio me sopra poesias que eu declamo a mim em momentos de tristeza, as vezes as lágrimas molham meu travesseiro. As vezes sou esquecido por quem não deveria me esquecer jamais. As vezes o cigarro, as bebidas e a minha imaginação são o meu consolo, meu alento. As vezes nesses momentos leio um livro todo em uma madrugada pois ele me leva até um local novo, contudo, as vezes o livro acaba e eu estou no mesmo lugar. As vezes meus sonhos insistem em sumir quando eu mais preciso deles, as vezes eles são obras expressionistas ou futuristas que me motivam. As vezes eu me pego pensando em você e ainda consigo sentir seu cheiro na minha camisa guardada no fundo da gaveta. As vezes eu imagino nos dois, a nossa felicidade, a nossa risada, os nossos momentos felizes. As vezes você vai embora e não me deixa nada além da esperança de um dia estar novamente dentro do seu abraço. As vezes eu só espero por você. As vezes eu não espero mais nada. As vezes as pessoas me dizem não, as vezes não se preocupam comigo, as vezes não me dizem nada, apenas me deixam. As vezes eu nutro esperanças de coisas que não são reais, as vezes a ilusão é verdadeira, as vezes eu sofro. As vezes... As vezes não é minha vez, nunca foi, será um dia?

sábado, 23 de março de 2013

Esconjuras

Eu me lembro bem. Tenho certeza que foi em algum momento da minha vida passada que ouvi a expressão "O ócio é o caminho do diabo." Hoje no final desta vida pude perceber que essa é uma expressão bem assertiva. Lá no começo, talvez quando tenha entrado neste caminho, diga-se de passagem para mim sem volta, eu confiava piamente no que me diziam, eu espera ansioso o que iriam me oferecer e pude me decepcionar por inteiro quando nada acontecia. Nomes eu teria um livro para citar, mas prefiro não falar. Eu levo comigo, para onde quer que eu vá, aqueles que para mim são inspiração, os que não me serviam de nada eu li mais uma vez, para ter certeza que iria lembrá-los pela eternidade, pois foram importantes, eles foram como baobás, criaram raízes profundas em órgãos vitais, transformaram-se em grandes árvores que, em alguns momentos me ofereciam sombra, em outros me deixavam na escuridão. Contudo a escuridão me deixava mal, queria ver as luzes coloridas piscantes, mas estava em um ponto do caminho que já não era possível retornar. Resolvi retirar esses malditos baobás, e retirei, porém levaram com eles partes desses órgãos que não me lembrava estavam enraizados de forma tão profunda. Era rotina, era cotidiano, perdi mais uma vez. A cabeça estava vazia e a mente cheia de fantasmas que me assombravam. Percebi que, por vezes, as coisas são dolorosas entretanto necessárias. Tentava exorcizá-los, eles não me deixavam, daí preferi o silêncio da minha inquieta mente aos barulhos dos fantasmas que me matavam aos poucos, e por incrível que pareça, após o meu silêncio muitos fantasmas se foram, é como se entendessem que eu estava me entregando, e estava. Nesse ponto eu comecei a ver o fim do caminho. Mesmo assim dois fantasmas continuavam ao meu lado, eles não eram maus, eram meus companheiros, eles me despertavam desejos, eu esperava abraços, aguardava prazer, ansiava por carinho. Mas só me olhavam. Me incentivavam. Me olhavam. Me encurralavam. Me olhavam. Me apaixonavam. E eu cheguei no fim do caminho... só assim eles me deixaram...

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Pensamentos

Naquela manhã quando acordei e olhei para dentro de seus olhos percebi que estava errado. Sua beleza era maior do que eu percebia, meu amor por ti era tão pequeno tal qual um grão de areia perdido em uma praia deserta. Minha vida naquele instante resumia-se a você. O que eu respirava era seu cheiro, o que eu imaginava era seu retrato pregado em minha mente, insubstituível. Quando pensava em meu dia a tormenta era tão caótica, uma tempestade em alto mar, como quando se está a bordo de um pequeno barco, sem velas, sem remo, sem rumo. Meu elixigir era desejar a noite para te ver eternamente.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Depois do inverno

Quando você passa por um longo e na maioria das vezes tenebroso inverno, passa a ver a vida de uma forma diferente. Passa a sentir, a entender e a pensar de uma maneira ainda não tangida por sua própria imaginação, a mais insana que poderia vislumbrar. Mas agora, depois dos ferimentos do frio, a realidade. Tenho certeza que ainda era verão. Eu sempre passava por aquele mesmo campo cheio de flores silvestres que insistiam em colorir como pixels dos mais variados tons, a imensa relva verde, ora muito escura, ora clara, sendo transformada pelos incidentes raios do sol. Era uma imagem marcante que terminava quando as madeiras começavam a brotar no solo. A ponte. Tão linda. Era parte de mim, insubstituível, um porto de tranquilidade que me fazia caminhar sobre as incertas águas turbulentas do rio límpido que era o senhor absoluto no fim do desfiladeiro. Ela, a minha louvada ponte, era minha companheira, contudo o inverno foi chegando. A temperatura diminuindo em progressão geométrica. Fui percebendo que suas bases estavam sofrendo, suas madeiras rangiam, suas cordas estalavam e sua estabilidade não era a mesma. Eu temia. Intimamente sabia o que esperar no fim, mas nunca deixei de acreditar, trabalhávamos juntos, eu por ela, assim como ela por nós. Mas fui me distanciando. O frio desumano feria minha pele, e ela, estática, só me cobrava reparos que minha limitação humana impedia de oferecer. Dessa forma o inferno gélido chegou. Não poderia agora resistir as intempéries naturais. Parti. Certo de meu destino deixei a ponte. O relógio não parou. O tempo passou. O inverno findou. O tenebroso rei gelo agora não tinha forças, mas deixou suas marcas, como anualmente fazia. Quando voltei a meu lar, a minha ponte não estava mais lá, como previa. Ela não me entendeu. Não reconheceu minhas limitações, minhas necessidades, minha raça e me deixou. Lá estava a relva queimada pelo gelo, meus pixels coloridos ressurgiam, mais ainda não passavam de pontos monocromáticos estampados no campo. Tudo estava igual dentro das modificações. Menos minha ponte. Seu lugar ainda está lá, sempre estará. Guardo as fotos de nossos momentos inesquecíveis e o mais importante, minhas lembranças, pois o que fizemos juntos jamais deixará de existir. Não tenho dúvidas que seguiremos nossas vidas e nossos caminhos, talvez o meu um pouco mais complicado sem você, mas não tenho medo das dificuldades. E se um dia puder-me entender pode voltar, é só me chamar, o seu lugar estará guardando.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Ensinamentos

"A vida me ensinou a dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração; sorrir às pessoas que não gostam de mim para mostrá-las que sou diferente do que elas pensam; fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade, para que eu possa acreditar que tudo vai mudar; calar-me para ouvir; aprender com meus erros. Afinal eu posso ser sempre melhor. A lutar contra as injustiças; sorrir quando o que mais desejo é gritar todas as minhas dores para o mundo. A ser forte quando os que amo estão com problemas; ser carinhoso com todos que precisam do meu carinho; ouvir a todos que só precisam desabafar; amar aos que me machucam ou querem fazer de mim depósito de suas frustrações e desafetos; perdoar incondicionalmente, pois já precisei desse perdão; amar incondicionalmente, pois também preciso desse amor; a alegrar a quem precisa; a pedir perdão; a sonhar acordado; a acordar para a realidade (sempre que fosse necessário); a aproveitar cada instante de felicidade; a chorar de saudade sem vergonha de demonstrar; me ensinou a ter olhos para "ver e ouvir estrelas", embora nem sempre consiga entendê-las; a ver o encanto do pôr-do-sol; a sentir a dor do adeus e do que se acaba, sempre lutando para preservar tudo o que é importante para a felicidade do meu ser; a abrir minhas janelas para o amor; a não temer o futuro; me ensinou e está me ensinando a aproveitar o presente, como um presente que da vida recebi, e usá-lo como um diamante que eu mesmo tenha que lapidar, lhe dando forma da maneira que eu escolher."
 
Charles Chaplin

sábado, 3 de novembro de 2012

Quando me amei de verdade

"Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E então, pude relaxar. Hoje sei que isso tem nome, auto-estima. Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades. Hoje sei que isso é autenticidade. Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje chamo isso de amadurecimento. Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo. Hoje sei que o nome disso é respeito. Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável, pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que se chama amor-próprio. Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro. Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo. Hoje sei que isso é simplicidade. Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas menos vezes. Hoje descobri a humildade. Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é plenitude. Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada. Tudo isso é saber viver!"

Charles Chaplin